A Justiça da Paraíba ouviu o influenciador Hytalo Santos, preso desde agosto e acusado de exploração de menores em vídeos publicados nas redes sociais. O Fantástico teve acesso com exclusividade aos depoimentos de Hytalo e do marido, Israel Vicente, réus por tráfico de pessoas, exploração sexual e produção e divulgação de pornografia infantil. O caso ganhou repercussão após a denúncia do youtuber Felca, que expôs a “adultização” de crianças e adolescentes nos conteúdos do influenciador.
Nas audiências, Hytalo tentou rebater as acusações e afirmou que nunca produziu conteúdo sexual.
“Eu me sinto até constrangido, porque fiz tanto por essas crianças e adolescentes e agora estou aqui respondendo a isso. Me dói muito”, disse. Ele alegou que os vídeos mostravam apenas rotina, dança e a cultura do brega funk, e que o olhar sexualizado viria de quem consome.
“Nunca gravei nada pornográfico. Para alguns, as coreografias podem parecer assim, mas para quem é da periferia, isso é arte.”
O Ministério Público, no entanto, sustenta que os réus publicavam vídeos com adolescentes dançando, incluindo alguns que viviam na casa do casal em um condomínio fechado em Bayeux. O MP aponta ainda que o casal administrava um esquema de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e submetia jovens a condições análogas à escravidão. Esse segundo processo ainda aguarda manifestação da defesa.
Durante a audiência, o promotor questionou se Hytalo via comentários interpretando os vídeos como sexualizados.
Ele respondeu: “Tínhamos 20 mil, 30 mil comentários. A maioria era sobre a força dos personagens, não sobre sexualização”.
O influenciador também negou que recebesse dinheiro diretamente das redes socais pelos vídeos. Disse que seus lucros vinham de publicidade e rifas “legalizadas”.
Ao ser questionado sobre remuneração dos adolescentes, Hytalo declarou:
“Eu ajudava os pais, mas não por obrigação. Eu me sentia no direito de fazer por eles”.
Além dos réus, quatro ex-funcionários foram ouvidos, entre eles dois policiais militares que atuavam como seguranças. Eles afirmaram nunca ter visto gravações pornográficas, mas admitiram que tinham acesso restrito ao interior da casa.
A prisão
Hytalo e Israel foram detidos em agosto, em São Paulo, após o vídeo de Felca viralizar e gerar forte mobilização pública. Eles foram transferidos para a Paraíba, onde permanecem presos. O pedido de liberdade apresentado pela defesa foi negado.
O advogado do casal, Sean Kombier Abib, alega que a acusação não tem provas de pornografia:
“Podem ser vistos como sensuais, mas a lei não criminaliza sensualidade, criminaliza pornografia. E isso não está demonstrado”.





