Durante quase uma década, o sertanejo universitário ditou a trilha sonora do Brasil, embalando festas, rádios e playlists. Mas 2025 trouxe uma reviravolta que poucos viram chegando: o pagode, aquele ritmo nascido nas rodas do subúrbio carioca, voltou ao topo e, agora, é o gênero mais ouvido do país, segundo a Pro-Música Brasil. Sete anos de hegemonia sertaneja deram lugar a uma batida mais coletiva, leve e sentimental.

No centro desse movimento está o Menos é Mais. O grupo brasiliense pegou um clássico de Alejandro Sanz, “Corazón Partío”, e transformou em “Coração Partido”, música mais tocada do primeiro semestre, com mais de 500 milhões de streams entre Spotify e YouTube. Com faixas como “P do Pecado”, eles mostram que o pagode não é só nostalgia: é emoção, amor e superação cantados em primeira pessoa, conectando gerações.
Mas se Menos é Mais lidera, Thiaguinho pavimentou o caminho. O projeto Tardezinha, que começou resgatando hits dos anos 1990 e 2000, hoje é uma marca cultural: estádios lotados, álbuns ao vivo e o pôr do sol como cenário oficial. Thiaguinho virou embaixador do gênero, conectando passado e presente e abrindo espaço para novos protagonistas.

E não é só isso: Dilsinho, Ferrugem, Sorriso Maroto, Turma do Pagode, Péricles e Pixote mantêm o pagode em alta, enquanto Ludmilla, com o Numanice, conquistou o Grammy Latino de Samba/Pagode e expandiu o alcance do gênero para além do Brasil. A presença feminina no pagode nunca foi tão visível e influente.
Três fatores ajudam a explicar essa guinada: nostalgia revisitada, autenticidade na produção e o poder das redes sociais, que transformam rodas de pagode em fenômenos virais no TikTok e no YouTube. Mais do que uma tendência, o pagode de 2025 é consagração cultural, um reflexo da nossa busca por música que una, emocione e faça dançar, do quintal carioca para o mundo.






