Festival de música negra no DF faz evento sem artistas negros

aaaaaaa-1

Um festival realizado nesse fim de semana no Distrito Federal chamou a atenção do público por uma possível contradição entre os realizadores e os artistas selecionados para o evento. O Festival Melodya, que integrou o Festival de Música Negra, contou com pouquíssimos artistas negros na grade de apresentações.

O Festival Melodya foi realizado nos dias 24, 25 e 26, na Praça da Bíblia, em Ceilândia (DF). Como mostram as imagens, o evento anunciou artistas de renome nacional, como as cantoras Melody e Paula Guilherme, os MCs Jhey e Matheuzim, o DJ Lucas Beat, entre outros.

“Festival de música negra sem artistas negros?!”; “Nenhum negro no Festival de Música Negra?”; “Piada de mau gosto e falta de respeito”, escreveram os seguidores em uma postagem de divulgação do Festival Melodya.

O Festival de Música Negra, que está em sua terceira edição, é organizado pela Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação do DF (ABC-DF). O projeto recebeu R$ 700 mil de fomento por parte da Política Nacional Aldir Blanc (Pnab).

Criada em 2022 pelo governo federal, a Pnab repassa recursos aos estados e ao DF para fomentar o setor cultural do país. O Ministério da Cultura é responsável por gerir a iniciativa.

O Metrópoles procurou a Associação Brasiliense e Promoção à Cultura, Diversidade e Formação do DF (ABC-DF), instituição que elabora o Festival de Música Negra.

A produção executiva do órgão informou que possuía muito espaço vago na grade de programação e não dispunha de recursos financeiros para contratar artistas locais. Firmou-se, então, uma parceria com uma produtora de fora do DF que cuida da carreira dos artistas exibidos anteriormente na reportagem. O Festival Melodya, portanto, teria nascido dessa parceria.

A produção executiva frisou ainda que, na grade do Festival de Música Negra, seis grupos de artistas negros se apresentaram. “Tivemos uma seleção de artistas negros e negras da cidade: DJ Chokolaty, Saphira (filha do DJ Jamaika), Makéna, Canto das Pretas, Samba da Guariba e Café com Samba”, ressaltou.